LCI e LCA – Tudo que você precisa saber

16 Mar 2018

 

Há uns dois anos, as LCIs (Letras de Crédito Imobiliário) e as LCAs (Letras de Crédito do Agronegócio) eram uma verdadeira febre entre os investidores. Atualmente, contudo, esses títulos estão um pouco mais escassos.

 

A escassez é um reflexo do momento econômico. Como as letras são usadas para financiar os setores imobiliário e agrícola, com a queda na atividade, a necessidade de financiamento por parte das empresas do setor também diminuiu.

 

LCI e LCA são dois investimentos de renda fixa que contam com um apelo muito interessante: a isenção do Imposto de Renda para pessoa física. Esse é um dos motivos do sucesso desse tipo de aplicação.

 

Obviamente, há outros fatores a pôr na balança antes de decidir por colocar ou não dinheiro em um investimento.

 

Com frequência, você verá as letras serem mencionadas em conjunto. Isso ocorre porque ambas apresentam características bastante semelhantes.

 

Neste artigo, você entenderá como funcionam as duas aplicações, de que maneira elas podem contribuir para diversificar o portfólio de investimentos e como compará-las com outros títulos de renda fixa.

 

Também vai conhecer as vantagens e desvantagens da LCI e LCA, as diferenças entre elas e o quanto geram de rentabilidade.

 

O que é LCI?

 

A LCI ou Letra de Crédito Imobiliário é um título de renda fixa que capta recursos para o financiamento do mercado imobiliário.

 

Como destina verba para uma área de fundamental importância para o governo federal, conta com isenção de IR para pessoa física.

 

A vantagem da isenção de IR é algo que chama bastante atenção do investidor que quer dar seus primeiros passos para fora da poupança. Junte a isso, o fato de a LCI ser um investimento de baixo risco (dependendo do emissor; vamos falar sobre isso mais adiante), sem taxas e com a proteção do do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), o mesmo que assegura os investimentos na poupança.

 

O FGC é um mecanismo mantido pelas instituições financeiras, previsto para entrar em ação em caso de quebra de um banco.

 

Se isso ocorrer, os recursos existentes no FGC devem bancar o saldo da aplicação do investidor em um limite de até R$ 250 mil por CPF.

 

Para quem está de olho em rendimento maior do que o da poupança, é bom lembrar que a LCI costuma cumprir essa função, especialmente em prazos mais longos, a partir de dois anos.

 

Agora, se você estiver preocupado com liquidez, ou seja, com a capacidade de resgatar o dinheiro na hora em que precisar, é preciso fazer uma análise mais cautelosa, pois não se trata de um investimento de resgate a qualquer momento.

 

Existem três tipos de LCI, de acordo com a taxa contratada:

 

Prefixada: com juro fixo anual;

Pós-fixada: percentual do CDI (Certificado de Depósito Interbancário), indicador de rentabilidade que segue de perto a taxa Selic;

Híbrida: com juro fixo anual mais a variação do IPCA, (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo).

 

O que é LCA?

 

A LCA só se diferencia da LCI em um aspecto: ela destina os recursos captados para o setor agropecuário, e não para o imobiliário.

 

Assim como a LCI, existem três tipos de LCA:

 

Prefixada: juro fixo anual;

Pós-fixada: percentual do CDI, que é um índice que segue de perto a Selic e sofre total influência da taxa básica de juros;

Híbrida: menos comum, oferece um juro fixo anual mais a variação do IPCA.

 

As outras características – liquidez, isenção do Imposto de Renda, segurança, proteção do Fundo Garantidor de Créditos – seguem os mesmos parâmetros da LCI.

 

Vale a pena investir em LCI e LCA?

 

O investimento em LCI e LCA faz sentido para muita gente que está de olho em aplicações de baixo risco, mais interessantes que a poupança, sem taxas e sem cobrança de IR.

 

O que precisa ficar claro para o investidor é que a isenção da tributação, por si só, não garante a essa aplicação um rendimento superior ao de outros títulos de renda fixa, como o CDB (Certificado de Depósito Bancário), por exemplo.

 

Por isso, sempre que considerar aplicações da mesma categoria, é preciso analisar qual delas oferece a maior rentabilidade líquida, isto é, o rendimento após os descontos de taxas e impostos.

 

Antes de aplicar seus recursos em títulos como LCI e LCA, que possuem um prazo mínimo para o dinheiro ficar investido, é importante verificar as suas finanças e montar um colchão de liquidez, que é aquela reserva que pode ser resgatada a qualquer emergência ou situação imprevista.

 

No colchão de liquidez, você deve aplicar de seis a doze meses do seu custo de vida, a fim de criar uma boa margem de segurança. Se você não faz ideia do quanto gasta mensalmente, vale a pena fazer uma boa organização das finanças e desenvolver um controle financeiro, para que possa investir com mais tranquilidade, sabendo exatamente qual percentual poderá alocar em cada tipo de aplicação.

 

A maior parcela da reserva de emergência deve ser aplicada em investimentos com liquidez diária e baixo risco, como títulos Tesouro Selic e fundos DI, desde que estes possuam taxa de administração baixa, não maior que 0,5% ao ano.

 

Depois de montar sua reserva, o excedente você poderá destinar a aplicações com prazos maiores de dois, três, quatro e cinco anos, que tendem a oferecer melhores rendimentos.

 

Qual o risco de investir em LCI e LCA?

 

LCI e LCA são duas aplicações bastante seguras, mas isso não significa que sejam isentas de risco.

 

Você talvez não encontre as rentabilidades mais interessantes nos grandes bancos comerciais, mas sim em bancos médios, que combinam diversidade de oferta com bons retornos.

 

Não se iluda com as altas taxas de retornos que uma LCI ou LCA de um banco médio possa oferecer. É preciso averiguar a saúde financeira da instituição emissora do título, do contrário você poderá assumir um risco muito maior, que é a falência do banco antes do vencimento da aplicação.

 

“Ah, mas nesse caso eu tenho a garantia do FGC para valores de até R$ 250 mil”. Você está correto, mas o pagamento do FGC está sujeito à disponibilidade de recursos.

 

Conforme o balanço patrimonial divulgado em novembro de 2017, o Fundo Garantidor de Créditos tem aproximadamente R$ 57,8 bilhões em ativos, os quais poderiam ser utilizados para socorrer investidores em caso de falência de um banco.

 

Além do mais, o pagamento pode demorar de três a seis meses para ser efetivado. Imagine os rendimentos que você deixaria de ganhar nesse período.

 

É preciso notar, porém, que o FGC só é obrigado a honrar os compromissos dentro de sua capacidade, ou seja, de recursos que dispõe como patrimônio.

 

Por isso, ao investir em uma LCI ou LCA, procure conhecer melhor o emissor.

 

Verifique se ele não está excessivamente endividado, se tem conseguido honrar os pagamentos dentro dos prazos combinados, se o balanço financeiro está positivo.

 

Assim, você evita surpresas desagradáveis ao longo do caminho..

 

Como calcular o rendimento do investimento em LCI e LCA

 

É bem fácil de calcular o rendimento de uma LCI ou LCA.

 

Abaixo, veremos exemplos envolvendo os três tipos de títulos disponíveis:

 

Prefixada
 

Um título prefixado que ofereça retorno de 9% ao ano vai pagar esses juros, anualmente, até o vencimento, não importando o cenário econômico do momento. Ou seja, mesmo que a inflação dispare, mesmo que a Selic caia pela metade, mesmo que os mercados enfrentem momentos de euforia ou de depressão, o juro prefixado não se altera até o vencimento do título.

 

Exemplo:

Um investimento de R$ 50 mil no início de 2016 em uma LCA/LCI que pagava 10% ao ano rendeu, até o fim daquele ano, exatamente 10%, ou seja, R$ 5 mil.

 

Como não há taxas nem tributação, o resultado final foi de R$ 55 mil.

 

Pós-fixada
 

A rentabilidade pós-fixada é a mais comum entre as oferecidas em LCI e LCA. Ela acompanha a variação da Selic, a taxa básica de juros.

 

Vale lembrar que a Selic é definida pelo Banco Central para regular a economia, ora freando a inflação, ora estimulando o crédito.

 

Assim, se a inflação dispara e a Selic sobe para domá-la, o rendimento pós-fixado a acompanha, já que o CDI segue de perto a taxa básica. O contrário também acontece.

 

Exemplo:

Um investimento de R$ 50 mil no início de 2016 em uma LCA/LCI que pagou 90% do CDI rendeu 12,51% até o fim daquele ano.

 

Como não há taxas nem tributação, o resultado final foi de R$ 56.257,79.

 

Híbrida
 

A rentabilidade híbrida é um pouco menos comum do que as duas anteriores.

 

Ela oferece uma segurança para o investidor no longo prazo, já que o ajuda a se blindar da inflação e projeta o seu retorno real, já descontando a depreciação do dinheiro por conta da elevação dos preços.

 

Para o longo prazo, pode ser interessante para garantir que uma elevação do IPCA não castigue os seus rendimentos.

 

Exemplo:

Um investimento de R$ 50 mil no início de 2016 em uma LCA/LCI que pagou 6% mais o IPCA rendeu 12,29% até o fim daquele ano.

 

Como não há taxas nem tributação, o resultado final foi de R$ 56.145.

 

Como podemos ver, a rentabilidade líquida de uma LCI/LCA é muito fácil de calcular.

 

Mas, para ir além nesse cálculo, é preciso considerar a inflação do período, já que o que vale mesmo é o ganho real, aquele percentual que ultrapassa a inflação, que corrói o poder de compra.

 

Nesse sentido, especialmente no longo prazo, títulos híbridos, que consideram a inflação já no rendimento, são interessantes para a blindagem e a garantia de um rendimento real projetável no momento da aplicação.

 

E se você quiser fazer simulações de rentabilidade, pode usar a Calculadora do Cidadão, ferramenta gratuita oferecida pelo Banco Central.

 

Como funciona a tributação de LCI e LCA

 

A tributação de LCI e LCA não deve preocupar o investidor.

 

Essas aplicações estão isentas de IR para pessoa física, não importando o prazo de vencimento.

 

Já o CDB e outras modalidades de renda fixa pagam de 22,5% a 15%, dependendo do tempo de aplicação, de menos de 180 dias a mais de 720 dias.

 

Há ainda um outro tributo que deve ser considerado nessa pesquisa, o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Ele tem uma alíquota altíssima (que parte de 96% sobre o rendimento) para aplicações inferiores a 30 dias. não há incidência de IOF (o Imposto sobre Operações Financeiras incide sobre aplicações de até 30 dias), pois o período mínimo de LCI/LCA é de 90 dias.

 

Só que isso não deve ser considerado um grande entrave, já que o imposto incide sobre operações inferiores a 30 dias e você não deve encontrar títulos de LCI e LCA com vencimento antes disso.

 

Os prazos começam a partir de três meses, e os melhores retornos ficam para os títulos mais longos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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