Produtores artesanais brasileiros criam deliciosas versões nacionais de queijos suíços.


Queijo Raclette Mineiro? Tem, sim senhor. É produzido pelo casal Dieter, um agrônomo suíço, e Soraya Muller no Vale do Jequitinhonha (MG). É um dos mais vendidos na Mercearia Mestre Queijeiro, em São Paulo, com sua massa elástica, de fácil derretimento. O sabor é adocicado e levemente picante, pouco salgado e apresenta algumas olhaduras, furinhos na massa. A produção é limitada a 14kg/dia.

De Goiás vem outros exemplos da produção nacional cuja qualidade faz frente a produtos famosos ao redor do mundo. Os queijos Tomme e Alpino são produzidos por um casal de suíços que mora em Corumbá de Goiás. O Tomme lembra o camembert, já que tem casca de mofo branco, massa macia, sabor suave e pouco sal. O Alpino também pode ser usado para raclette, já que é suave, adocicado, macio e elástico.

Bruno Cabral, dono da Mestre Queijeiro e colunista de GULA, é um defensor apaixonado da causa dos queijos artesanais brasileiros, que ainda estão à margem das prateleiras do varejo, alijados pela competição dos importados e industrializados.

“O queijo artesanal gera emprego na roça, turismo, captação de recursos para pequenos municípios do Brasil e preserva nossa tradição alimentar. Falta-nos identidade, conhecer nossos produtos e, principalmente, uma legislação que incentive a produção. Isso fará com que sejamos um país de queijos como qualquer país europeu. Os EUA já mudaram o padrão de consumo, nós ainda temos de fazer isso”, diz, confiando em futuro feliz para os queijos brasileiros.

Do discurso à prática, o empresário tem enchido suas prateleiras com o laticínio de imigrantes europeus – suíços, franceses, italianos, entre outros – estabelecidos no interior que estão misturando chiclete com banana e criando novos queijos artesanais, feitos com técnicas de produção estrangeiras, mas com DNA brasileiríssimo.

“Este ano, o primeiro produtor artesanal de queijo brasileiro ganhou um prêmio internacional (Guilherme Ferreira, da Estância Capim Canastra, medalhista de prata numa premiação francesa), o queijo da Serra da Canastra tem IP (Indicação de Procedência) e é sucesso de vendas“.

Parte do manifesto desses artesãos do leite é que o industrializado nacional seja proibido de usar nomenclaturas internacionais DOP (Denominações de Origem Protegida) em prol de seu faturamento, já que isso engana o consumidor, que acredita estar consumindo queijos originais estrangeiros.

Onde encontrar?

MERCEARIA MESTRE QUEIJEIRO – Rua Simão Álvares 112, Pinheiros, São Paulo – SP. Tel.: (11) 2369-1087.

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Eduardo Lemos é Contador (CRC 116.256), Administrador de Empresas (CRA 20-69519-5), Pós Graduado em Auditoria e Controladoria, Perito Contábil (CNPC/CFC 5280),  Professor Universitário, Empresário, Empreendedor e Amante de Vinhos e Gastronomia. Clique e saiba +

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